terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Tempo de reflexão, busca por quem sou eu

Passado o tempo da correria atrás das notas da faculdade; passado o tempo de dedicação ao trabalho e as idas e vindas aos fóruns da cidade; passado todo o tempo do mundo dedicado aos outros, agora é chegada a hora de descansar e dedicar o meu tempo a mim.

Eu poderia muito bem ficar deitado todo o tempo, mas isso não faz parte de mim. Aliás, ficar parado não é comigo. Sinto que sou útil quando ponho me a trabalhar. Se não exercito a mente ou o corpo, eis chegada a hora de morrer.

Ontem foi o meu aniversário. Fiz pouco mais de vinte anos. E o mais engraçado dessa história toda é que eu poderia afirmar categoricamente que para mim o que realmente valeu apena foi o que me aconteceu de uns três, quatro anos pra cá. Mas não posso fazer isso por que antes disso tudo aconteceu coisas que não dá pra esquecer. Assim, eu tenho de olhar para o passado e enxergar sempre a mesma coisa, a final, o passado não muda, mas o que muda sou eu agora.

Eu aprendi muito com todo esse tempo vivido. Diria que hoje estou aprendendo um pouco mais. E isso me enriquece. Por dentro eu me sinto completo quando medito, reflito ou descubro um pouco mais de quem sou eu. Acho que a ponderação é a mais bela e a melhor saída que já descobri.

Mas, deixando TUDO isso de lado e retomando o que comecei escrevendo, agora que tenho todo tempo do mundo para dedicar a mim pergunto: o que farei? Por onde começar?

Poderia deixar claro aqui que eu não sei o que fazer. Por outro lado, tenho idéia do que eu NÃO devo fazer. Isso, na minha opinião, já é um bom começo.

Saber o que não fazer já é alguma coisa. E isso, de alguma forma, me levará ao que devo fazer.

Passo o tempo lendo coisas que não fazem parte daquilo que eu deveria ler, ou que não fazem parte daquilo com que trabalho. Passo o tempo meditando e refletindo sobre assuntos que não vão acrescentar em nada no meu relacionamento com a minha família ou a minha namorada. Eu paro e experimento coisas novas que sei que vou gostar, mas que eu tenho toda a certeza que não vou comprar.

A verdade é que eu tenho tido muito contato comigo mesmo e isso tem me deixado super feliz. Teorias a parte, não me interessa se o mundo vai acabar ou não – se bem que muitas vezes eu gostaria que acabasse. Eu descobri que eu sou mais feliz comigo mesmo do que procurando motivos para agradar ou estar com alguém.

Esse modo de viver a minha vida e não a vida alheia é o que me torna diferente, mas é diferente².

Certo dia eu percebi que os jovens gostavam de ser diferente dos adultos. Isso resultava numa geração de pessoas iguais. Oras, se todo mundo quer ser diferente dos adultos logo todo mundo ia ser igual em um determinado ponto. Pois bem, foi ai que comecei a me reconstruir. Eu não tinha cabeça ainda para ser adulto, mas também não tinha mais paciência em vestir uma fantasia que todos usavam. Eu sentia a necessidade de ser diferente da diferença. E foi assim que amarrei em mim um cordão de isolamento e fui buscar quem sou eu.

De fato essa atitude me custou muito. Não tenho tantos amigos que qualquer outra pessoa teria. Também não busco gostar daquilo que muitos gostam. Mas o mais curioso disso tudo é que de certa forma boa parte das pessoas que gostavam de ser diferente dos adultos passou a tomar uma atitude que o equivale a minha. Deixaram suas mascaras caírem e sem aderir a doutrina da geração de seus pais passaram a procurar que eles realmente são.

Isso não fez com que eu me aproximasse dessas pessoas, pois o ressentimento é maior e mais forte do que nós. Assim, eu não vou dedicar a minha vida correndo atrás de ideais e valores que são pregados hoje por pessoas que no passado me julgaram e me subestimaram.

Elas não estarão perdendo nada assim como eu não estarei ganhando nada sem o contato ou a relação dessas pessoas. O que torna o que sou eu diferente deles é que ainda hoje eles vivem sobre a sombra do precisam ganhar alguma coisa para vestir algo. E eu não sou assim.

A muito tempo atrás eu decidi não ser mais diferente. Eu não ganhava nada com isso. Mas decidi que buscaria quem sou eu e isso vale muito mais apena do que qualquer tipo de ideal barato que encontramos por ai.

Há muitos caminhos e jeitos. Mas a finalidade sempre foi a mesma.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Estado idiotizador – sobre o aprendizado



Vi essa imagem que me chamou muita atenção no facebook e resolvi comentá-la aqui no blog.



Bom, como podem ver, a imagem diz sobre o Estado idiotizador, ou seja, um Estado que tem como seus princípios básicos os que estão enumerados na imagem, tais como: coibir o aprendizado, dar oportunidade para poucos, criar uma mídia inútil, etc.

Mas por que ele é idiota? Oras, basta ver o primeiro item que se refere ao aprendizado para se chegar a uma conclusão óbvia.

Quem nunca ouviu dos pais “filho, vai para escola para estudar!”? Pois bem, a intenção de todo e qualquer pai resposável é fazer com que o seu filho adquira educação, conhecimento, exercite o aprendizado. Logo, entende-se que era na escola que conseguiríamos tais virtudes. Contudo, com a maquina controladora – o Estado – isso não é possível, pois vivemos numa sociedade onde o funcionamento das escolas vão de mal a pior, há profissionais desqualificados bem como os maus remunerados e a qualidade de ensino é um lixo. Isto por que o Estado não investe o que deveria investir no setor da educação. Assim, o Estado impede que o aprendizado seja a força motriz para a grande reforma da nossa sociedade.

Sem a educação somos um povo burro. Controlados por poucos que tem acesso as informações necessárias para o controle. Um povo burro não questiona, não questiona o professor em sala, não aponta reflexões em suas respostas nas provas, não demonstra pontos de vista diferentes, enfim, uma série de coisas que um povo burro faz e um Estado controlador não gostaria que o povo fizesse.

Assim, é evidentemente possível concluir que o Estado é idiota ao ponto de deixar a verdadeira engrenagem (o povo) no chamado estado de burrice. Pois assim não haverá progresso. Não haverá reconhecimento da capacidade criativa do ser humano. E ai entramos num outro ponto, qual seja, o Estado não quer que você deixe de ser individuo e torna-se “humano”.

Falar na superação do homem é outra conversa – que não cabe aqui. Mas o que digo e reafirmo é que o Estado quer apenas a sua mão de obra e nada mais. Já somos números. Assim fica mais fácil contar. Logo, somos um tijolo, cada um de nós, num muro que esta cada vez mais rachado – só não vê quem não quer.

O Estado não quer que você crie, apenas trabalhe. Ocupe o seu tempo com a mais árdua tarefa braçal que possa existir. E não o bastante, não se motive a ir a escola, isso é desnecessário, te tornará humano (ou quase humano). Assim, deixando de ir à escola você deixa de adquirir conhecimento e desenvolver sua capacidade criadora. Torna-se mais um. E poderá fazer com que os seus filhos também se tornem mais um, basta deixar de levá-los a escola.

O Estado faz com que você acredite que o conhecimento não é bom e que as idéias não valem a pena. Basta ver o número de bolsas que tem aquele que reproduz mais filho do que é concebível racionalmente. Assim, tendo todo mundo muito filho não haverá mais espaços nas escolas e assim a educação entra em precariedade, o ensino se torna um lixo, o professor não aquenta dar aula - até por que ele é remunerado para dar aulas e não para cuidar do seu filho. Deste modo, você aos pouco acredita que não vale a pena matricular seu filho na escola, basta que ele vá a rua e consiga o dinheiro, transforma-se em um individuo incompetente que dá continuidade ao ciclo de burrice iniciado por você (mais filhos, mais bolsas, mais crianças na escola, menos espaço, menos educação, mais marginais nas ruas, mais violência na sociedade, mais desemprego entre as classes).

Vejam como uma só coisa fora comentada. A questão do aprendizado, se bem observado, toma dimensões enormes, impossível de se acreditar no que se pode conceber.

Uma só imagem, uma só informação, um único Estado, uma única só ideia: formar mais idiotas cada vez mais.

Em quatro em quatro anos temos copa. Todo ano temos carnaval. Todo ano tem campeonato disso, campeonato daquilo. Times subindo outros sendo rebaixados. Mulheres prostituindo suas imagens e dignidade bem como o seu corpo. Novelas e mais novelas. Feriados e praias. Aqui definitivamente é o centro do universo com mais vibração da idiotice que se pode imaginar! (risos).



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sobre viver em tempos de paz


Acordar cedo não é fácil. Abrir os olhos, ver o teto iluminado, pessoas entrando e saindo no quarto. Pois é, mais um dia esta nascendo. Na minha cabeça passa imagens, sons, lembranças de uma série de coisas que me reportam para a realidade.

Ao levantar-se eu não sei o que foi que aconteceu com o mundo, com as pessoas da sociedade, com as pessoas que tenho uma atenção maior, os meus amigos, minha namorada, enfim, entre outros.

Depois de realizado algumas tarefas como ir ao banheiro, preparar o café, levar o meu irmão ao outro lado da rua para esperar o veículo que o leva para a escola, resolvo me alimentar com um pouco de informação.

É impressionante, e é aqui que entramos de fato no que interessa no texto, como logo de manhã, quando queremos, somos violentamente sacudidos, atacados, surpreendidos por uma série de informações que de alguma forma provoca a nossa mente. Em vinte minutos percorrendo os canais da TV poderia somar cerca de 20 a 50 mortes da semana passada até hoje de manhã.

Eu não sei se as pessoas que costumam ler isso aqui tem a mesma impressão que eu tenho sobre a violência. Isso me assusta. Faço cara de quem não tem medo. Pois como fruto de uma geração como a minha eu não devo me chocar com estatísticas, informações ou noticias de tamanha gravidade.

Passamos por momentos difíceis eu sei muito bem. Tenho amigos que perderam seus parentes nas mãos de criminosos que são cada vez mais beneficiados pela Lei que todos os dias tenho de estudar.

Eu não gosto de escrever ou comentar sobre a violência na sociedade, pois toda vez que eu faço isso somasse ao meu placar mais um ponto para mim ao invés de um ponto para a humanidade. Que placar esse perguntariam? O placar onde de um lado está eu e mais algumas pessoas que desacreditam que vale a pena lutar pelo ser humano e do outro pessoas que acreditam em algum tipo de salvação onde alguém ou alguma coisa salvará todas essas pobres almas, bem como pessoas que acham que o ser humano é algo supremo ou coisa do gênero, mas na verdade não passam de imbecis que alimentam e reproduzem a ideologia barata de que o ser humano é bom ou que vale a pena viver em sociedade.

Nós vivemos em sociedade por que temos medo do outro, aliás, medo não, somos animais capaz de nos matar se percebêssemos que o que nos impede de sermos totalmente animais e primitivos são idéias TOTALMENTE descartáveis.

Alguns amigos comentam comigo que nós estamos retornando para o que éramos antes da civilidade moralista e hipócrita dominar o mundo. Veja as grandes lutas e campeonatos de UFC, MMA e qualquer outro tipo de esporte onde ver o outro cair é sempre um prazer.

Estamos retornando isso verdade. Convivemos assim. Gostamos de praticar o culto a violência fingida dos esporte. Condenamos aqueles que realmente praticam a real violência tais como os pais que batem nos filhos, as mulheres que são diariamente agredidas pelo simples fato de serem mulheres, os jovens que são diariamente julgados por seus colegas de escola pelo fato de estarem confusos por não saberem por que o mundo é assim, os rapazes que são encontrados sem vida em razão de um ataque de um grupo de pessoas que não admitiam o modo pelo qual expressavam o seu amor um pelo outro, e muitos outros os casos da nossa realidade que preferimos tapar os olhos.


Cerca de 40 jovens fugiram da instituição casa nessa final de semana. Por que? Pões-se a culpa numa briga que houve lá dentro entre os jovens. Mas a verdade é que eles estão presos e por isso que acham que são marginais ou bandidos. Com isso a única coisa que se pode passar na cabeça de um jovem armazenado nas caixas profundas do Estado nada mais é que a conduta daquilo que realmente a sociedade acha que ele é. Não estou dizendo que acho que os jovens não são culpados pelas infrações que cometeram. Mas acho sim que existirá um dia neste país que o número de cadeias será superior o de escolas.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Frustrações de um sagitariano


Nada me frustra tanto quanto saber que daqui aproximadamente seis anos serei uma coisa ou outra. Explico. Sou sagitariano com ascendente em câncer... De verdade, eu não escolhi isso, mas as coisas são assim mesmo... Como estava escrevendo, aproximadamente seis anos terei de ser uma coisa ou outra.

Sinceramente eu não sou muito sagitário, tampouco sou um pouco canceriano. As vezes sou mais o meu lado virgem do que estes dois. Virgem, perguntaria alguém... Sim, virgem, o meu lado metódico é mais aflorado que esses dois que perseguem o meu destino. Se bem que eu preferiria ser mais o meu lado aventureiro e exagerado do que o tão organizado e metódico como o virgem ou então o tão caseiro e chorão como câncer.

Apesar de ter essas três figuras no meu astral eu tento levar uma vida feliz e saudável.

Mas como ia escrevendo, nada me deixa frustrado em saber que um dia poderei chorar a toa ou então ser aquela boa e velha mãe da casa que se preocupa com os filhos ou que se importa com os afazeres do lar... Imaginem, que cena bizarra, eu chorando por qualquer coisa boa, despertando cada dia mais o meu lado sensível, sentimental... que horror... por que fui nascer assim!

Talvez seja este o grande sacrifício que terei de fazer um dia. Até lá, pondero como um bom sagitariano que ainda sou e organizo a minha vida conforme as solicitações da minha lua em virgem (que teima em me dizer que tudo está desorganizado e que preciso organizar e arrumar tudo!).

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dia do Professor


Antes de começar com o tema central do artigo, quero parabenizar todos os professores do meu país, pois são eles que são encarregados da educação e do desenvolvimento intelectual desta nação. Eu acho que se o professor não der a aula que gostaria de ensinar, ele na verdade estaria seguindo um padrão ultrapassado do sistema, obsoleto, desgastado. A educação precisa de professores e não de cartilhas e apostilas. De fato, a sociedade precisa do profissional que dedica a sua vida educando os outros. Parabéns professores por serem importantes, me desculpem por tudo que lhes causei quando era mais jovem, vamos todos juntos nesta luta, pois o sistema é mal e sei que tem muita gente que quer ensinar e educar cidadãos e não colocar mais um tijolo no muro.

Agora vamos lá.

Grande ironia da nossa sociedade é homenagear o professor. Na minha opinião não ter aula no dia do professor não é homenagear ninguém, oras, pois, se o educador ou professor ama o que faz por que então nós tiramos o seu dia de trabalho? Entendam, eu não quero que as pessoas trabalhem, trabalhem e se desgastem... Aliás, férias, feriados, finais de semana já servem para isso: descanso. A quem o Estado beneficia quando abre mão do dia de aula na data do dia do professor? Ao aluno burro que não esta interessado em aprender e adquirir conhecimento. Eu sei disso por que eu já fui assim. Via mais vantagens em ficar deitado sem fazer nada do que levantar e ir trabalhar. Contudo, ao meu entender não deveríamos abrir mão da aula no dia do professor.

Entendo que o professor desempenha um papel fundamental na sociedade, assim como é o médico ou qualquer outra autoridade. Infelizmente eu sou perfeito idiota. Pois penso que autoridades deveriam ganhar bem por conta da função que exercem. Contudo, o que ocorre no nosso país desestimula qualquer pensamento puro, integro e honesto. Isto por que as pessoas visam o salário ao invés da função que vão exercer criando assim um verdadeiro oportunismo funcional. E com isso o funcionalismo das coisas publicas se tornam ruim, a corrupção aumenta e eu, tonto do jeito que sou, escrevo aqui que ainda acho que gente como o presidente ou o deputado deveria ganhar bem.

Enfim, o professor desempenha um papel fundamental na sociedade não podemos negar. Mas não é sendo importante que homenageamos os titulares deste dom (por que educar é um dom, não é possível) distribuindo folgas. Eu acho que o reconhecimento vale muito mais a pena do que qualquer dia da semana sem aula. Mas vivemos no país do feriado. Então, pra dizer que alguém é importante, nós criamos o feriado, e assim deixamos de fazer aquilo que mais gostamos de fazer, no caso do professor é ensinar.

Eu realmente não gostaria que me interpretassem mal. Pois entendo que temos outros modos de homenagear alguém ou alguma classe e não é distribuindo folgas ou feriados. Poderíamos simplesmente reconhecer que os professores são importantes e fazer com que eles se sintam importantes por serem professores. Fazer com que a sociedade veja o quão nobre é ensinar e deste modo os pais educariam os seus filhos a irem para escola para aprender e não para prejudicar a aula ou agredir o professor. Em alguns casos, a desvalorização deste profissional é tão grande que vemos caso de pessoas que atiram em professores em meio a aula, só por que o professor não acatou a ordem do aluno... Que absurdo é este!? E isso acontece diariamente, basta abrir o jornal e ler as noticias.

Aqui no Brasil eu não vejo respeito em relação ao professor. Vejo que muitos jovens não querem dar aulas. Ou por que não ganhariam o que estimavam ou por que sofreriam com os desrespeitos que há diariamente em sala de aula. Ninguém mais quer ensinar e, na minha opinião, isso é triste, daqui a alguns anos esta profissão estará em extinção.

Eu não vejo motivação para ser professor. É mais fácil valorizar uma qualquer que aparece sem roupa na TV do que um profissional que dá a vida em prol do conhecimento. É mais fácil valorizar quem enche de porrada outra pessoa num octógono, e chamamos isto de esporte, do que alguém que está lá todos os dias, mal remunerado, ensinando e propagando conhecimento obsoleto em quatro paredes.

Podem me chamar de cruel, sem coração ou de idiota. Eu não acho que é dando folga que a nação valorizará o professor, a sociedade mostrará o respeito que tem por ele e o Estado promoverá a simbolização de uma profissão que em alguns lugares do mundo o imperador se curva frente ao professor.


Era só isso que eu tinha para dizer. Obrigado pela sua atenção.

domingo, 14 de outubro de 2012

Revolta e os revoltados


Recentemente, em conversa com uma amiga – minha namorada – chegamos a seguinte conclusão: eu sou revoltado.

Logo veio a minha mente a seguinte imagem: eu não uso trajes e nem saio por ai com utensílios daquelas pessoas que se declaram revoltadas. Na minha mente, o revoltado é aquele que diariamente vive se opondo a costumes, idéias que são as bases dos valores morais na nossa sociedade.

Então por que chegamos na conclusão de que eu sou um revoltado? Quais foram os motivos que nos encaminharam para esta conclusão?

Tudo o que indica é que eu não preciso sair por ai usando utensílios ou roupas de rebeldes sem causa para declarar o meu inconformismo contra a sociedade.

Se bem que eu não tenho problemas com a sociedade. Talvez o que eu escreverei possa parecer um pouco de “vitima do sistema”, mas não é bem assim. O problema é que a sociedade tem pregados regras e padrões de conduta que não resultam em nada... Opa! Espera ai! Não resulta em nada?

Neste país somente pobres e pessoas diferentes de cor e opção sexual é quem são realmente punidas pelas regras impostas pela sociedade. E isto por quê? Por que estas pessoas são diferentes.

De fato, a diferença é repudiada na sociedade moralista e anormal em que vivemos. Basta olhar nas manchetes ou na TV quantos ricos vão para a cadeia... Mas isto esta mudando, alguém dirá, de fato, está mudando, as pessoas hoje em dia estão tendo consciência do que realmente lhes acontecem e por isso se revoltam e por isso estamos vendo efeitos diferentes acontecerem na sociedade (como políticos serem julgados, bicheiros serem presos). Contudo as pessoas testemunham o que lhes acontecem, mas ainda não caiu a ficha de quem são. Sim, as pessoas ainda não perceberam quem são e é ai que entra a revolta que iniciou este artigo.

O problema, como estava dizendo, não esta na sociedade, mas nas regras e condutas e blá, blá, blá que a sociedade faz você (pobre individuo) acreditar que valem para alguma coisa sendo que para os poderosos não valem NADA.

É ai que esta dormindo a revolta, pois como apontei a pouco, as pessoas não sabem quem são, o saber “quem você é” te torna revoltado, e não os indivíduos fantasiados de anos 80 que circulam por ai gritando “Anarquia, anarquia!”.

Muita imagem, pouca atitude. Certa vez um amigo meu me disse isso e acredito que essas palavras ecoarão na minha mente por muito tempo, isto por que pessoas que saem por ai achando ser revoltados nada mais são que palhaços para o sistema. A revolta que digo é extremamente interior, é saber que você nasceu em um sistema totalmente corrompido onde você fora condicionado a se  submeter as regras impostas. É saber que te fizeram de tolo, de imbecil, de fraco, de idiota e que acima te deram lixo pra comer e te fizeram acreditar em idéias que nada mais são que bengalas para te fazer continuar e produzir para aqueles que estão acima de você.

A revolta É totalmente interior e silenciosa. Quando tudo isso passar e você perceber ai então estará acordado e pronto para viver.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As engrenagens do poder


Já escrevi sobre o mesmo assunto em um dos milhares de Blogs que já tive. Porém, os anos passaram e ainda assim o tema continua tão atual – e continuará. Não que o que eu escrevi não seja tema para outro Blog, eu acho até que é um bom tema, e muita gente que percebe coloca todo o inconformismo no papel. Certamente alguém já parou pra pensar em tudo o que escreverei.

O ser humano, desde que surgiu no mundo, aproveitou-se da capacidade que o próprio ser humano tem de se submeter a qualquer coisa para sanar as necessidades, como também aproveitou-se do sofrimento alheio para conseguir poder e, assim, estruturar um grupo baseado em regras e normas de conduta, chamando isso de sociedade e, com a expansão dessa sociedade temos a civilização. Logo, percebemos que a civilização tem como fundamento o aproveitamento das necessidades e dos sofrimentos alheios.

Isto por que como podemos ver recentemente com as eleições municipais, o que muda MESMO é o cume da pirâmide, enquanto que a base permanece estática.

Diz no parágrafo único do artigo primeiro da Constituição da República Federativa do Brasil: “Todo poder emana do povo...”, de fato, essa expressão permanecerá ali por longos anos. Pode até mudar de forma, mas a base central do pensamento permanecerá, isto por que o poder realmente emana do povo.

O poder esta no povo por que é o povo que move as engrenagens do sistema. A expressão contida no parágrafo único é claro e conciso, ou seja, além de dizer como é construída a sociedade, como ela se move, como ela se alimenta, as poucas palavras que lá estão demonstram que o povo é a base da pirâmide, é o povo que tem o poder de mudar, é o povo que muda o cume da pirâmide, é o povo que tem o poder, mas permanece constantemente dependendo do cume eleito. Logo, a sociedade em si é uma grande ficção, uma invenção repleta de falhas onde aqueles que descobrem essas falhas são eliminados do sistema. E o povo é a base de tudo, é quem constrói insistentemente a história da sociedade todos os dias, mas permanece em segundo plano nos interesses dos governantes, pois, para eles o que é realmente importante é o status social que eles adquirem bem como continuar manipulando a base da pirâmide para continuar no poder.

O poder é como uma jovem com vigor e energia que dependendo do que você faça, dependendo de como você a trate, ou você a conquista ou você a perde. Se já tens, o melhor é tratar o poder bem, assim como se trata uma mulher que acabara de casar e esta em plena lua de mel. Desta forma o que tens a fazer é perceber que o poder não é transformado por uma única pessoa, mas sim por um grupo de pessoas que detém os instrumentos necessários para a constante manipulação da massa. Logo, se tens o poder terá de submeter ao jogo hierárquico que existe dentro do sistema. Se não fazer o jogo tens de decidir pelas duas escolhas: elimine seus inimigos e seus amigos ou então desista do poder por que da mesma forma que conquistou o poder há muitos que estão atrás da mesma jovem.

Quando me refiro ao poder não estou me referindo à utopia declarada na constituição. Veja, o poder é como uma jovem em seu pleno vigor, que esta a espera de alguém que a conquiste e satisfaça a suas necessidades. O poder não é como a fome que o povo tem. O poder não pode ser confundido e comparado a um direito que todos tem. O poder vai além de nossa compreensão e ele não pode ser declarado a esmo. O poder não é um direito, o poder é uma atribuição conquistada. É uma heresia declarar que o poder emane do povo, porém, quando a constituição se refere ao poder que emana do povo nada mais está afirmando que o povo é a base da pirâmide, que é ele quem muda o cume, que é ele a principal engrenagem do sistema e que mata a fome dos poucos que se encontram no verdadeiro poder.

Não tem a ver com pensar se isso é bom ou mal. As coisas são assim, é invisível, ninguém deve ver. O verdadeiro poder é silencioso, por isso não pode ser do povo, pois a massa é um conglomerado de barulhos e insiste em viver no caos, com isso o poder não pode ser de um grupo de pessoas que sequer se respeitam. O poder é silencioso. Aquele que tem o poder age calado, em silêncio. Enquanto o povo acha que tudo esta em paz ou na perfeita harmonia sempre terá alguém por trás de tudo isso inventando maneiras de acabar com a paz por que, entra guerra e sai guerra, essa é a única maneira de permanecer no poder. Exige silêncio e constante derramamento de sangue como forma de oferenda a uma suposta força ou entidade do além – isso não passa de bobagem. De fato é uma justificativa para permanecer no poder e ponto.

Mas dirão que aquele que conquista o poder saiu do povo. É verdade, mas é um só nome ou um só grupo que é beneficiado com o poder. Alguém tem de perder nessa história e quem sempre perde e tem perdido até hoje foi o povo.

Toda essa consistência sobre o poder e os poderosos – os verdadeiros poderosos – pode ser visto em qualquer canal. Ligue a TV e veja agora mesmo se os pastores daqueles canais que pregam a palavra de Deus estão sujos e imundos como aqueles pregadores que diariamente estão na praça da Sé no centro de São Paulo. Ou então, para ninguém dizer que estou conspirando, ligue e coloque em qualquer canal que esteja passando alguma noticia. É só ver que o jornalista que conta os fatos e trás as más noticias logo pela manhã para você está vestido como um importante executivo. Em qualquer novela, em qualquer programa, em qualquer noticia essa consistência que apontei acima esta expressa. Só não enxerga quem não quer.

A sociedade exige um modelo de comportamento. Este modelo é ditado por quem está no cume. A moda é pregada pelas elites e quem não esta na moda não esta “por dentro”. Quem não curte as musicas de hoje em dia não é um cara legal, bacana, pois ele não dá espaço para você aliená-lo, aliás, o poder tem essa outra face, a de se fazer disposto ao leigo, ao medíocre que insiste em ser igual a elite. Isso dá esperança ao ignorante que acredita ser “parte” de um grupo seleto, de um grupo que realmente abraça o poder.

E a coisa não para por ai. Acha mesmo que compramos o que nos é útil? Como diz num filme, “nós temos o emprego que odiamos para comprar merdas que não precisamos” e isso não passa da mais pura realidade. Estamos alienados em preocupações alheias que NADA acrescentarão em nossas vidas, mas é muito mais útil tapar os olhos e ouvidos e deixar somente o bolso a vista – assim fica mais fácil de meter a mão e roubar o teu dinheiro suado.

A maioria esta preocupada com o que acontece nas novelas ou o que acontece nos jogos de futebol. Não percebem o qual alienados estão a ponto de não perceberem as ações dos poderosos.

A sociedade é isso. O povo é uma grande engrenagem que nada pode fazer, pois estará sempre submetido a um determinado regime, a determinado grupo. É manipulado a comer, ver, ouvir e cagar o que elites pregam. E assim, o povo vive na ilusão de que tem poder...

Oras, quer melhor conclusão do que esta: dê a eles esperanças, pois é a única coisa que lhes restam acreditar. Sem a esperança, sem duvida nenhuma, o ser humano desejaria deixar a vida, pois assim encurtaria o sofrimento. Mas a conclusão é clara e dá esperança. Dizer que o poder emana do povo sob a ótica de que é do poder que vem a força motriz sem duvida é um argumento a esperança. Se todos tomassem conta e acordassem para enxergar que ao mesmo tempo que o argumento que sustenta a esperança para o mundo melhor não passar de um argumento afirmando o que realmente o povo é - engrenagens do sistema – eu duvido muito que continuaríamos a viver nesta fantasia.